http://revver.com/video/279003/blowing-the-dust-out-of-the-cartridge-that-is-my-mind-mario-3/

(em protesto pelo wordpress não me deixar postar vídeos de outros lugares que não o youtube e google vídeos!)

Todo mundo que me conhece sabe que eu tenho um gosto muito, MUITO peculiar pra música!

Sério!

Sou apaixonado por músicas bizarras, toscas ou que não fazem o menor sentido pra humanidade em geral.
Nessas buscas por músicas estranhamente divertidas me deparei com uma banda chamada Crystal Castles (agradeço a Marina até hoje por ter me apresentado!)

Sim, este clipezinho tosco com esta música hipnótica me fizeram ficar apaixonado pela duo canadense, mas como era difícil achar mp3 deles, meio que deixei de lado!
4 meses depois, caçando mp3 aleatórias pensei: Por que não procurar mais mp3 do Crystal Castles? Achei todos os ep’s e singles e o CD lançado recentemente. Parece que em 4 meses muita coisa mudou pra eles. (4 meses no meu mundo, pois a banda existe desde 2005 e eles tocaram no Readings de 2007!).

O que mais me agrada neles é o som distorcido que me lembra video games! Até aí tudo bem. Eu já tinha ouvido várias bandas fazerem uma ou outra música que soasse meio 8-bit. Mas lendo o artigo sobre a banda no wikipedia vi que eles tem o problema de roubar samplers da comunidade Chiptune e que o teclado do cara usa um oscilador de som do ATARI 5200.

Pera. Chiptune… Atari 5200… WTF? Aí entra o lado Extremamente curioso do J.
Chiptune é ou chip music é a música escrita em formatos onde todo e qualquer som é sintetizado em tempo real usando um chip de som de computador ou videogame ao invés de usar um sampler sintetizado.

Entendeu? É mais simples que parece. Você pega um console ou computador antigo, cria ou caça um software pra regular os níveis de oscilação, e começa a tocar. Eu achei que isso era uma cultura isolada com poucos adeptos, mas ae…

Ae descobri um documentário chamado REFORMAT THE PLANET feito pela 2playerproductions que estreou oficialmente em março deste ano no SXSW festival. Como é difícil descrever o documentário já que eu fico speechless cada vez que o vejo, toma o trailer pra vocês tirarem as próprias conclusões.

BLIP FESTIVAL: REFORMAT THE PLANET trailer from 2 Player Productions on Vimeo.

Melhor do que um documentário. Os caras do 2pp fazem 2 festivais anuais chamados BLIP FESTIVAL! e PULSEWAVE com os melhores nomes da chipmusic mundial!

Nullsleep // Blip Festival 2007: The Videos from 2 Player Productions on Vimeo.

ARY @ Pulsewave in NYC, 04.26.08 (2/2) from 2 Player Productions on Vimeo.

Depois de ver os vídeos do evento e pensar: “CARALHO, isso tudo é muito FODA!” e “EU QUERIA ESTAR LÁ!”, fui um pouco mais além: “EU POSSO FAZER ISSO TAMBÉM!”. Afinal ainda tenho minha coleção de video games, uns consoles repetidos pedindo pra serem modificados e a parte de saber programar z80 (game boy, sega genesis, sega master system) e SCP700 (super nintendo) vão me ajudar um pouco na coisa. Mas antes eu precisava de dicas e referencias musicais!

Como eu amo a internet e a facilidade de se encontrar informações comecei pelo básico (mas completíssimo) www.chiptune.com, que com sua interface Amiga-based consegue guardar 3552 bases de chip music em vários formatos diferentes. Também achei uma “gravadora” chamada 8bitpeoples que tem uma cacetada de artistas e mp3 pra se aproveitar. E como não podia deixar de ser, a parte mais amadora e iniciante da cena também tem seu espaço no 8bitcollective, que permite ao usuário mandar sua música/imagem/dicas de DIY e afins.

Pra quem gosta de música eletronica nerd como eu, tae um prato cheio!

A 10 mins atrás, abri o globo.com e me deparei com isso:

Vídeo compara obeso a outdoor e é retirado.

Parei. Respirei. Lí a matéria.
Achei absurdo as críticas pesadas a campanha, na minha humilde E MAGRA opinião, genial criada pela DM9.
Para quem não viu o vídeo, infelizmente, a agência tirou o link do youtube.

Agora a crítica aos críticos. Pra que criticar agora um vídeo que abertamente crítica a obesidade e ignorar os ZILHÕES de anúncios de ODE A MAGREZA? Quero ver os gordinhos fazendo abaixo assinado pra Claudia Gimenez sendo a nova garota BOA da Antártica… GORDINHOS UNI-VOS.
Cadê petições e reclamações contra a REVISTA NOVA por as unicas rechonchudas que aparecem na capa são as grávidas? Não existem gordinhas bonitas? É isso o que querem dizer?

É bem fácil criticar o óbvio e ignorar o ainda mais óbvio.
Ainda mais nesse caso onde há uma dupla crítica:
1. ao problema cada vez mais evidente da obesidade mórbida no Brasil. Há os jovens nerds gordinhos que preferem winning eleven a chutar a canela de alguém.
2. a prefeitura paulistana que baniu a mídia indoor (o que me impede de várias coisas na hora de pensar uma campanha, mas que me abre portas pra outras mais divertidas mas que a ARCAICA administração da cidade, não permite!) e apontou a IGNORÂNCIA de tal lei.

HIPOCRISIA é o nome! Dos dois lados. Achei péssima a atitude da DM9 de retirar o vídeo! Achei ridícula a manifestação dos blogueiros nerds, chatos e gordos.

Até porque, não há nada melhor do que rir de si mesmo!

Pronto. Falei!

J – Geek, Magrelo, Chato, Nintendo Lover, Palmeirense, Escroto e acima de tudo AUTO-ESCROTISTA DE PRIMEIRA!

“… eis que me vi em um bloqueio criativo. Bloqueio daqueles de se questionar a carreira e as escolhas feitas até alí. ‘Ora. És ou não um criador?’. ‘Na hora do pênalti, amarelas?’. Já desolado e diante de uma situação que parecia imutável, eis que saio em busca do Q que me faltava. Mas… o quê me faltava?

De carona aleatória voltei ao lugar das mais belas overdoses de cocaina já vistas. Palco de minhas maiores viagens alucinógenas. Esperava encontrar algum rosto conhecido, mas aparentemente, nenhum dos vagabundos que me acompanhavam estavam disponíveis! Migrei então para o próximo quarteirão, onde minhas cantadas ruins um dia funcionaram. Entre hippies pseudo-filósofos e o jogo do corínthians, escolho o menos intragável. ‘Vai Azulão’, esbraveja meu coração alvi-verde em silêncio, temendo ser espancado. Final de primeiro tempo. Minha torcida contra é incapaz de afundar o já rebaixado timão. Decido que aquela situação é insuportável. Jogo ruim. Gente feia. Saio em busca de algo melhor (ou pior).

Me vejo dentro de um supermercado. Saco do caixa eletronico figuras de valor sem sentido com meu cartão caindo aos pedaços. Literalmente. Passo com pressa a seção de bebidas e percebo que não vale a pena me matar num dia como hoje. Mas… que tipo de dia é um dia como hoje?

Do supermercado ao cinema em 7 minutos, segundo o taxista. ‘Qual sessão ainda posso pegar?’. Escolho a de pior nome. O filme conta a história de um paraíba que desembarca em curitiba, se torna cozinheiro pela falta de dinheiro, se apaixona por uma meretriz, muda de restaurante, pega a puta e seu chefe na libidinagem e mata os dois.

Não podia ser melhor!

Depois do filme, volto pra casa. ‘Mas ainda é terça!’. Tá certo. Minha trava criativa ainda não foi quebrada. Do inferno ao céu em 3 horas. De corínthians a cordel e cerveja argentina em 3 horas. Das xilogravuras ao grupo de lésbicas na mesa ao lado, possívelmente rindo da minha solidão proposital. Dos idiotas tentando dizer a dona do bar, porque o seu bar tem este nome. SBT. Rascunhos em guardanapos. Brainstormings comigo mesmo. Destrava. Volto. Escrevo. Deito. Durmo.

Quarta-feira!”

Acabei de descobrir que meus posts tem diretamente a ver com minhas pesquisas de trabalho.

Estava eu pesquisando sobre a estética visual da literatura de cordel para um projeto e acabei me deparando com diversas publicações e me vi preso pela beleza non-sense delas.

Foi amor a primeira vista. O primeiro título que apareceu foi:

“Um pagode no inferno ou a nova loura do cão.
Arievaldo Viana

Sentiram a beleza do título? Só a sugestão de que haverá pagode no inferno me faz não querer ir pra lá (esperando as pedras contra meu ódio declarado a pagode). O trocadilho com a nova loira do tchãn é genial!

Depois de ler este título, deixei um pouco a estética visual da coisa e fui pesquisar os títulos que eles davam aos textos. Foi quando me apaixonei de vez!

As meninas do sertão são iguais as de Ipanema. – Raimundo Silva
O mineiro que comprou um bonde no Rio de Janeiro.
Apolônio Alves dos Santos
Visita de Satanás a um baile funk.Botelho Pinto e MC Papangú
O pai que trocou a filha por uma jaca.
Dalmo Sérgio
Os novos mamadores da negra dum peito só.Arievaldo Viana
O cavalo que defecava dinheiro.Leandro Gomes de Barros
O verdadeiro A.B.C. dos Cornos.Cornélio da Galha
O chifrudo que apanhava da mulher porque não sabia passar roupas.Dalmo Sérgio
A incrível traição da mulher do Ricardão.Gonçalo Ferreira da Silva
O monstro de Piratini mata mãe e arranca coração.Raimundo Santa Helena
O Porco Endiabrado no Programa do Ratinho – Antonio Klévisson Viana
O Motorista que Matou A Mãe por Um Real –
Antonio Klévisson Viana

Entre tantos outros…

Estes títulos me fizeram pensar (parodiando uma amiga minha): “Q? (EM CAPS DESCONTROL)”
O processo de criação desses caras deve ser algo do tipo: vou comer uma rapadura estragada e imaginar essas histórias bizarras e/ou distorcer as que todo mundo já sabe e contá-las de um jeito bizarro para que o povão goste e dê muita risada. FUNCIONOU!

Não consigo não imaginar estas histórias em forma de rimas cantadas, com o acompanhamento da viola rudimentarmente aprendida na raça pelo sertanejo. Este tipo de manifestação cultural tosca (do sentido de mal acabado, não de ruim) é tão atual quanto quando nasceu, na grécia antiga. É fácil encontrar em meio a estes títulos, temas como 11 de setembro, política, morte de artistas, tragédias nacionais/mundiais e etc.

A xilogravura utilizada nas capas é uma das artes que mais adimiro pelo trabalho que dá talhar em madeira os desenhos quase sempre ricos em detalhes.  Lendo o site da ABLC – Academia Brasileira de Literatura Cordel (sim, existe uma academia brasileira) achei a história dos “grandes cordelistas”. Esses grandes homens, em sua maioria eram simples trabalhadores e grandes “mentirosos”. Criavam histórias bizarras como ninguém. Viviam na manguaça e se divertiam mentindo pra galera.

Ou seja, viraram meus heróis.

E tudo começou com os KEDS…

Sabe aqueles sapatinhos brancos simples pacas? Então… conheça o “pai dos tênis”. Os primeiros sapatos com sola de borracha foram os “plimsolls”, no começo do século XIX, durante a revolução industrial. Mas não deu muito certo. Em 1892, a Goodyear, que era uma marca de calçados e hoje fabrica pneus, começou a criar um tipo de sapato feito com lona e borracha. Foi difícil escolher um nome pro produto. A idéia genial dos caras era “Peds”, do latim, pé. Meio óbvio. Mas alguém já tinha registrado esse nome e sobraram outros dois, tão criativos quanto o primeiro: VEDS e KEDS. Acabaram ficando com o segundo pois vendia melhor do que “Get your own VEDS”.

Em 1917, os Keds começaram a ser produzidos em massa. Aí, um publicitário chamado Henry Nelson McKinney, teve uma sacada que mudou o nome deste tipo de sapato lá na terra dos donuts. Ele passou a chamar os Keds de “Sneakers”. Sneaker é aquele que “entra escondido” em algum lugar. Ou seja, se você saísse escondido dos pais e voltasse as 4 da manhã, ou você usava mocassins, ou Keds.
Nessa mesma época, a Converse, lança o primeiro tênis especializado para basquete da história: o Converse AllStar. Os AllStar revolucionaram a história do esporte. Mas nem todos os jogadores ficaram felizes com o novo pisante. Em 1921, a Converse ganhou seu melhor inimigo. Charles H. Taylor, também conhecido como “Chuck”, reclamava demais de bolhas nos pés e culpou os tênis. Então os caras, que não eram nem um pouco idiotas, falaram para ele: “Bom, já que é assim, por quê você não faz melhor? Desenha pra gente”. Ele aceitou o desafio e se tornou embaixador da marca até que em 1923, foi criado um selo colado nos tênis para agradecê-lo. O cara trabalhou até morrer (literalmente) pra popularizar a marca entre os times da NBA.

A moda do tênis começou em meados da década de 30 por aparecer em alguns filmes de Hollywood e era visto como símbolo de rebeldia. Por serem baratos e confortáveis, eram usados por quase todos os jovens. Esta nova onda ganhou um pouco mais de força quando Jack Purcell, jogador de Badmington (peteca com raquete), desenhou sua própria versão dos Keds e com eles foi o maior vencedor da história do Badmington, com quase 20 anos sem perder um campeonato que disputava. E virou febre oficialmente, quando James Dean, que havia acabado de estrelar “Rebelde Sem Causa”, foi fotografado usando uma camiseta preta, Jeans da Levi’s, e o Keds de Jack Purcell. Pronto. Era o inicio de uma geração de rebeldes-wanna-be.

A Guerra pós-guerra

Enquanto isso, começa a primeira disputa entre marcas da história da cultura dos tênis.

Adolf e Rudolf Dassler, filhos de um fabricante de tênis alemão, juntos fundaram a Gebrüder Dassler Schuhfabrik (Fábrica de calçados dos irmãos Dassler) em 1924.

Em 1936, nas olimpíadas, Adi foi dirigiu quase 500km da Bavária até a vila olímpica, em Berlin, usando uma das primeiras estradas pavimentadas com asfalto da história moderna, e, chegando lá, convenceu um corredor americano, Jesse Owens, a usar as suas sapatilhas. Jesse foi o primeiro atleta negro patrocinado da história dos esportes e ganhou 4 medalhas de ouro, o que fez com que a marca dos Dassler ficasse conhecida. Em questão de meses, eles já haviam vendido mais de 200.000 de pares de sapatilhas.

Com o início da guerra, os irmãos Dassler apoiaram o partido nazista. Ninguém sabe ao certo o motivo da briga entre os dois, mas conta a lenda, que em 1943, durante um bombardeio, Adolf e sua família foram se esconder em um bunker onde Rudolf e sua família já estavam. Em meio a raiva por ver sua cidade sendo bombardeada, Adolf soltou a frase: “Estes sujos filhos da puta estão de volta”, provavelmente se referindo ao exército aliado. Rudolf achou que era com ele e guardou o rancor.

Logo em seguida, Rudolf foi capturado pelo exército aliado e foi acusado de ser membro da Waffen SS (exército de proteção armado alemão) e ainda puto com seu irmão o acusou de tê-lo entregue ao exército inimigo.

Em 1948 quando foi solto, Rudolf terminou a sociedade e fundou sua própria fábrica a RuDa (junção das iniciais de seu nome) mas que logo depois foi mudado para Puma Schuhfabrik Rudolf Dassler. Nasce a Puma. Enquanto isso, Adolf, fundava a adidas, nome que vem de seu apelido “Adi” e das iniciais de seu sobrenome.

 

A Mini Berlin

A cidade Bavária de Herzogenaurach foi dividida não só pela guerra que terminou por separar as duas alemanhas, mas também pela guerra de fidelidade as marcas.

Era como uma mini-Berlin. Sai o muro, e entra o rio que corta a cidade em dois. Ao invés de aliados ocidentais de um lado e alemanha soviética de outro, temos adidas de um lado e puma do outro.

“A cidade ficou conhecida como a cidade onde as pessoas olhavam para baixo antes de começar a conversar, para saber qual sapato o outro estava usando,” disse Barbara Smit, uma jornalista financeira alemã, e uma das autoras da biografia dos irmãos Dassler.

Negociantes fiéis a Rudolf, não venderiam nada a alguém que usasse adidas, e o mesmo acontecia do outro lado do rio. A parada era tão ridícula, que algumas pessoas, ao serem contratadas por Rudolf, entrariam em sua casa usando adidas de propósito, só para que, quando o homem visse tal “afronta”, mandasse o indivíduo até o porão pegar um par de Puma na faixa.

Esta birra durou quase 50 anos até que um dos netos de Rudolf, Frank Dassler recebeu uma proposta para trabalhar como Conselheiro legal do Grupo Adidas. Sua família viu isto como uma traição contra seu avô, o que quase gerou uma segunda divisão entre os Dassler. Mas isto não o impediu de aceitar o emprego.

A mídia local encarou o fato como um “tratado de paz”, mesmo que fazendo cara feia para o vira-casacas que traiu a família, mas com o tempo acabou aceitando o fato. Hoje em dia, a rivalidade é bem menor. Os mais jovem misturam tranquilamente em seu estilo, adidas e puma. Mas ainda há aqueles que escolhem entre as duas marcas, como diz Hermann Linder, 41 anos, que passeava com sua família, todos usando puma.

 

Enquanto isso na América.

Com a popularização dos AllStar e dos Keds, a procura por “ser diferente” aumentou bastante. Tanto os Converse quanto os Goodyear, tinham versões em preto com o bical branco e em branco com o bical branco. Ou seja, ainda não era o bastante, para que um jovem rebelde fosse “diferente”. Os Keds cairam em desuso quando em 1966, devido a pressão das equipes da NBA, os AllStar começaram a ser fabricados em outras cores. A partir de 1970, a empresa adotou outros materiais em sua confecção como couro, camurça, vinil e até maconha ao invés da já ultrapassada lona. Outros modelos foram lançados. O cano que cobria os tornozelos, foi cortado e surgiram os Low-cuts. Também saiu a versão que ia até o joelho, conhecida como Knee-high.

Durante as décadas de 50 e 60, o AllStar dominou dentro e fora das quadras. Até que surgiram concorrentes a altura.

Em 1968, a Puma cria o Puma Suede. Seguindo a mesma linha dos tênis atuais, com o cano baixo. Feito em camurça acolchoada e com a sola mais alta do que os demais, é facilmente aceito pelos jogadores de basquete pelo conforto que proporciona nas mudanças de direção dentro de quadra.

Quase que simultaneamente, como não poderia ser diferente, a adidas lança um modelo parecido, o Campus. Isso gerou diversas ações por infringimento de patente e cópia e toda aquela velha briga de inveja volta a cena.

 

Fora do Basquete

Em 1960, a adidas é a marca dominante nos jogos olímpicos com 75% dos atletas sendo patrocinados pela marca alemã, mantendo uma hegemonia de quase 30 anos. A puma foi a primeira marca a conseguir um acordo de importação com os Estados Unidos em 1950. Aí começa outro capítulo da batalha entre adidas e Puma. Em 1962, Pelé usando Puma, é bi-campeão mundial de futebol, o que impulsiona a marca no mercado mundial, mais particularmente, o sul-americano. Em 1970, no tri-campeonato, Pelé mais uma vez vestia seu par de Puma Kings, consolidando a marca como principal fornecedora de artigos de futebol, cabeça com cabeça em números com a adidas, que começara a fabricar bolas e outros acessórios.

Dois anos antes, em 1968, um fato marcou as olimpíadas da cidade do México. Tommie Smith e John Carlos, ambos corredores americanos, durante a cerimônia das medalhas, ambos vestindo meias pretas sem tênis, luvas negras e bottons do Olympic Projects for Human Rights, ao ouvirem o hino nacional americano, baixaram as cabeças e levantaram a mão coberta com a luva, saudação que simbolizava Poder ao Povo Negro, que pregava o Poder Negro, ou seja, exigia a criação de instituições políticas e culturais para promover e espalhar a cultura negra pela américa.

Este ato foi visto como ofensivo pelo comitê olímpico internacional que baniu os dois atletas da competição. Smith tomou a frente da causa e disse: “Se eu venço, sou um americano, não um negro americano. Mas se eu fiz algo ruim, eles dizem que sou um Preto. Nós somos negros e temos orgulho de sermos negros. A américa negra entenderá o que fizemos hoje a noite.

Coincidentemente (ou não) Smith era patrocinado pela Puma e usava o Puma Suede. Depois deste protesto declarado, Smith foi considerado um dos heróis da causa negra na década de 60 e logo seu estilo de se vestir começou a ser imitado, principalmente os tênis. Assim, o Puma Suede se espalhou pelos guetos americanos.

Em 1970, uma empresa chamada Blue Ribbon Sports (ou BRS), que simplesmente revendia os tênis da empresa japonesa Onitsuke Tiger (hoje Asics), era liderada por Bill Bowermann e Phill Knight. Bowerman estava de saco cheio de vender tênis japonês e queria conquistar de alguma forma o mercado dominado pelas marcas alemãs. Certa manhã estava ele vendo sua esposa fazer waffles e sabe-se lá por que raios ele teve a brilhante idéia de jogar borracha na prensa de waffles. Com isso nasce uma das técnologias mais revolucionarias da história do calçado, a “waffle sole”. Este tênis se espalhou rapidamente pela equipe de corrida da Universidade do Oregon, que era o público alvo da BRS. Esta Universidade tinha uma das principais equipes de corrida dos EUA, e devido as competições nacionais, o modelo waffle sole se espalhou pela américa chegando as olimpíadas.

No final da década de 70, a BRS muda seu nome para Nike. O sucesso da Nike é descrito basicamente por se colocar dentro da revolução do fitness, ao transformar a idéia de que, “excercício e esportes eram praticados apenas por diversão” em, “corpos bonitos igual a status”.

 

Vá e faça!

No final da década de 70, começo da década de 80, o povo americano começou a fazer algo contra a pobreza. Várias pessoas viam o bem estar como uma coisa nojenta. Os conservadores viam a admissão de uma política moral mais fraca quando a preocupação pelo corpo físico se tornou maior do que qualquer coisa para o estado. Em contraste, os liberais viam os pobres como vítimas, já que não podiam ser parte do “consumo-do-corpo”, ou seja, o individuo que comprasse bens ou serviços baseados na sua eficiência aeróbica. Sem entrar na discussão sobre a moralidade do estado de bem estar, veja que ambos os pontos de vista se focam no corpo.

Enquanto a galera dava uma corridinha pra continuar “sarada”, fazer exercício e praticar esportes deixaram de ser legais. Malhar virou um jeito de mostrar auto-controle e de se mostrar. Deu ao indivíduo uma representação física de quem ele é em relação ao resto do mundo. Como isso não atingiria a geração Yuppie que estava nascendo naquela época?

A gurizada trabalhava pra fazer média com a galera. Estar bem fisicamente (e ter grana) era tudo pra poder ter um relacionamento com alguém decente (ou não). Juntar grana pra ter um tênis legal era o foco do pessoal. A Nike, sabendo disso, investiu pesadamente em anúncios abusando de semiótica e mensagens fortes, ela transformou os yuppies que antes buscavam os tênis bbb (bons, bonitos e baratos), em cães sedentos por um “swoosh” e uma namorada gostosa.

Do outro lado da moeda, na parte que ainda não tinha tanto dinheiro pra torrar num nike, surge o hip-hop, com seus adidas idolatrados por grupos de rap, como Run DMC, e Pumas venerados pelos b-boys, que mantiveram o legado de Tommie Smith, como os New York City Breakers e o Rock Steady Crew, que os usavam religiosamente nas apresentações de hip-hop.

Entre os dois grupos se encontra uma galera que não via graça nos nike, e que não era tão fã assim de hip-hop pra usar os adidas e puma, que achava que allstar é muito anos 60 e que ainda queria garantir sua corridinha de sempre.

Em meados da década de 70, surge uma marca silenciosa. A New Balance lançou o primeiro tênis de corrida com a sola em formato ondulado. Também foi o primeiro tênis com a largura variável. O Trackster se tornou concorrente direto dos Waffle. Quando eu digo, “marca silenciosa”, quero dizer: não gastou zilhões de dinheiros em propaganda. O boca-a-boca levou este tênis ao conhecimento público e rapidamente se espalhou. Alcançou o público mundial em menos de 6 meses após o lançamento do Trackster.

Na década de 80, nike, new balance, adidas e puma disputavam o mercado de fitness como gladiadores tentavam sobreviver em Roma. Pra facilitar a vida dos yuppies, confusos em quê gastar seu rico dinheirinho, mais especificamente das yuppies, a Reebok (atrasada como sempre) entra no mercado com o Reebok Freestyle, em 1982. Ele era desenhado especialmente para as mulheres que gostavam de dar uma malhada (pun intended). Ele entrou em moda pois além de servirem pra academia, eram confortáveis e bonitos o suficiente para o dia a dia. O Freestyle acabou se tornando um dos ícones da moda da década de 80 e estava disponível nas cores branco, preto, vermelho, amarelo e azul.

Seguindo a onda do Freestyle, a Reebok lançou o Ex-O-Fit (nome bizarro) que era parecidíssimo com o antecessor, mas com uma diferença: o novato tem um fecho de velcro a menos.Se você tem entre 20 e 30 anos provavelmente se lembra da série Punky a Levada da Breca. Logo, deveria saber que depois desta série se espalhou a idéia de misturar a cor dos tênis e a decorá-los, o que já era usado pelos punks e new waves. Ela usava os Freestyle de diversas cores com mixes bizarros e sempre ficava legal, pois afinal, eram os freestyles. Eles iam bem com tudo.


Voa Jordan, voa!

Em 1984, surge um calouro na NBA chamado Michael Jeffrey Jordan, ou Air Jordan, ou Sua Alteza. Mr. Jordan virou estrela muito rápido. A já gigante Nike cresceu o olho nele, e assinaram um contrato de exclusividade do uso do nome. No ano seguinte, surge o Air Jordan. Usando a tecnologia air dos tênis da Nike, o Air Jordan mudou bruscamente a estrutura dos tênis de basquete.

Grande e destrambelhado. Mais acolchoado e com uma sola maior. Furos na frente para evitar chulé. Sola com a tecnologia air. Esta maravilha não vendeu nada no começo e seu valor caiu para ridículos U$20. Até que… a NBA resolveu barrar Sua Alteza de jogar com os AJ’s pois eles “violavam as normas dos uniformes da liga”. Cada vez que Jordan entrasse em quadra calçando o Air, ele era multado em U$5000. Como polêmica dá mídia e rende interesse público, a garotada entendeu que ter um air era “do mau” e começou a comprar. Sua segunda versão lançada em 86 com um preço muito alto não rendeu tão bem. Até que… Jordan ganha o Slam Dunk contest e em 87 é lançada a terceira versão do tênis. Esta sim alçou vôo. Hoje este tênis está próximo da sua XXIV versão.


O Retrô está sempre en vogue.

Durante a década de 90 não houveram grandes avanços nos designs dos tênis. Algumas coisinhas legais apareceram como aqueles tênis que brilhavam quando você pisava, ou os kichutes, e por que não dizer, as congas. No inicio dos anos 2000, vieram os tênis multiesportivos. A Nike lançou o Nike shox com um novo super ultra master blaster advanced sistema de amortecimento que consiste em colunas de ar e que, segundo a empresa, servem pra qualquer esporte.

Nos EUA, o shox não foi tão bem quanto gostaria de ser e passou a ser vendido a preços baixíssimos. No Brasil, o modelo virou febre e explodiu em vendas e teve seu preço inflacionado em até 300%. E alavancou a produção de calçados piratas, que são vendidos por chinas mal encarados em sacolas gigantes no centro das cidades não-tão-grandes assim como Sorocaba, São Paulo.

Conheça agora a moda: “Meu pai era legal e eu não sabia”.

As vezes andando na rua você vê garotos usando echarpe e você pensa: “QUÊ? Minha avó usava isso”. Ou garotas usando aqueles óculos do Eric Strada em CHIPS e pensa: “QUÊ? Meu pai usava isso”. Então você se vê em meio a um mundo onde comprar em brechó é legal e que sim, seus pais estavam “na moda” e não sabiam. É amigo. Os tempos mudaram. Os jovens que antes odiavam a idéia de se parecer com seus pais, agora passaram a assaltar seus baús de tralhas, caçando adereços que os transformem em pessoas que viveram nos anos 60, 70 e 80.

E o quê isso tem a ver com tênis, ora bolas. Elememtar meu caro(a) leitor(a). Ninguém “na moda” anda descalço. Usar tênis usado, não é legal. Roupas, sim. Tênis, não. Pensando nisso, Nike, Adidas, Puma, Asics, New Balance, Converse relançaram suas linhas “retrô” para complementar a moda: Quero parecer como se tivesse voltado ao passado.

E elas não estão medindo esforços. A Nike relançou seus Air Jordan’s com o nome de Dunks. Dunks eram os Air Jordan genéricos fabricados pelos caras. A adidas soltou a coleção retrô em 2006 enfatizando as cores e a customização como era feita no final dos anos 70.

A puma redesenhou os Suedes e jogou na coleção hype casual de 2007. Usar Asics old-skool é legal de novo. A Converse abriu pedido de falência em 2003 e foi comprada pela Nike. A Reebok, foi comprada pela adidas “just because”.

Ou seja, em quase 90 anos de históra do tênis. Ninguém saiu ganhando. As empresas torraram grana em tecnologia e o público, a massa, o que conta, preferiu ficar com o antigo, simples e confortável. Zilhões de dólares gastos em publicidade e o que realmente funcionou foi o boca a boca, o olha quem está usando X ou Y modelo/marca.

Afinal, todo publicitário acha que pode lavar a cabeça das pessoas. E todo ser humano acha que não pode ser manipulado.

 

Ps: o original tinha imagens… preguiça me impediu de fazer o upload. 

 

São Paulo, começa neste sábado chuvoso de 22 de março de 2008 ás 16:09 o primeiro post “sério” deste blog.

Como diria George Bernard Shaw
“My method is to take the utmost trouble to find the right thing to say, and then to say it with the utmost levity.”

É nessas horas que você saca o quão babaca e mal utilizada é a internet.
Você abre o seu navegador, rola uma síndrome do dáblio, dáblio, dáblio, ponto (dedos parados). Aí você lembra de algum site que seria legal para começar a navegar e continua: gê, o, o, gê, éle, e, outro ponto, cê, o, eme. É quase que automático!
Então você abre o tal do google e diz: “Ahhh, agora vai…”. Vê aquela caixa em branco e pensa: “…(sigh) e agora?”.

Depois de ter passado pelo google, você provavelmente (caso tenha um e não tenha nada melhor pra fazer já que caiu na síndrome do www.) entrará no orkut pra ver se algum amigo seu te mandou um scrap. Há cinco minutos atrás você tinha passado pelo mesmo processo. Lembra o que acontecia quando você pegava o controle da TV e ficava passeando pelos canais até dormir no sono? Então, same thing.

Só que agora estamos num processo um tanto quanto “perigoso”.

Vivemos num mundo tão idiota a ponto de não sabermos mais escrever em papel com uma caneta de forma que não pareça que temos oito anos de idade. Aliás, os de oito anos de idade já falam de sexo como se tivessem vinte, mas isso são outros quinhentos. A internet é um meio de lavagem cerebral tão, ou mais eficiente que, a televisão por uma só razão: você escolhe o que vai te deixar anestesiado. Isto relfete na vida social desconectada.

Ex: Fones de Ouvido São Obrigatórios!

Quantas pessoas você conhece que não vivem sem música e o fone, como elas mesmas dizem: “As isola da mediocridade”. Não se há mais diálogos aleatórios a não ser com aqueles amigos próximos. Não se conhece mais pessoas com um: “Ônibus demorado não?”. Isolamento total e absoluto e pouca troca de cultura, conhecimento no mundo real.

Numa das minhas viagens ao rio eu e uma amiga criamos a frase: “Vida digital, alma analógica.”
Sentimos falta (apesar de rancorizarmos, e literalmente ignorar gente escrota) de gente que gosta de fazer amigos, daquele taxista maroto que puxa conversa e conta história. Daquele garçom que te aguenta até as quatro enquanto você joga na bancada todas as suas histórias de relacionamentos fracassados, e ainda tem a cara de pau de pedir a saideira. Aquela senhora que reclama da artrite na fila do banco falando que tem uma sobrinha linda da sua idade que adoraria te conhecer e que você faz questão de concordar-já-discordando.

Não tenho como solucionar essa “doença auto-inflingida” chamada INTERNET.

Jack Lalanne dá a letra:

J

Tá, abri este blog durante a Campus Party e até agora não tinha escrito nada!

O que acontece é o seguinte: simplesmente nunca tive paciência pra escrever em um blog ou algo assim. Mas vai que alguém acha algo de útil (ou não) neste cantinho obscuro (ou não) da web.

Breve apresentação inútil:

J Moretti – 23 anos – designer gráfico – solteiro – hetero – palmeirense – apaixonado por música – indo mais ao cinema do que nunca – caçador de novas tecnologias e webtrends – tenho amigos (alguns) – bebedor de cerveja – uso linux mas prefiro mac – nintendo freak – colecionador de consoles – e não sou legal.

Sobre o que escreverei aqui?

Qualquer coisa! Tá, genérico demais! Minha idéia de qualquer coisa vai desde política internacional (Vai Obama, Sarkosy Sucks), video games (apesar de não jogar tanto quanto eu gostaria pela pura falta de tempo/saco), música (essa sim, falarei bastante apesar de ser considerado alguém com um gosto bizarro), cinema (sempre que eu ver algum filme bom/ruim/médio), internet (eu a odeio, ela me ama, fazer o quê), futebol, tecnologia, design e whatever… tá bom assim explicadinho?

Se gostar ótimo; se odiar, melhor ainda!