Arquivos Mensais: Maio 2008

A 10 mins atrás, abri o globo.com e me deparei com isso:

Vídeo compara obeso a outdoor e é retirado.

Parei. Respirei. Lí a matéria.
Achei absurdo as críticas pesadas a campanha, na minha humilde E MAGRA opinião, genial criada pela DM9.
Para quem não viu o vídeo, infelizmente, a agência tirou o link do youtube.

Agora a crítica aos críticos. Pra que criticar agora um vídeo que abertamente crítica a obesidade e ignorar os ZILHÕES de anúncios de ODE A MAGREZA? Quero ver os gordinhos fazendo abaixo assinado pra Claudia Gimenez sendo a nova garota BOA da Antártica… GORDINHOS UNI-VOS.
Cadê petições e reclamações contra a REVISTA NOVA por as unicas rechonchudas que aparecem na capa são as grávidas? Não existem gordinhas bonitas? É isso o que querem dizer?

É bem fácil criticar o óbvio e ignorar o ainda mais óbvio.
Ainda mais nesse caso onde há uma dupla crítica:
1. ao problema cada vez mais evidente da obesidade mórbida no Brasil. Há os jovens nerds gordinhos que preferem winning eleven a chutar a canela de alguém.
2. a prefeitura paulistana que baniu a mídia indoor (o que me impede de várias coisas na hora de pensar uma campanha, mas que me abre portas pra outras mais divertidas mas que a ARCAICA administração da cidade, não permite!) e apontou a IGNORÂNCIA de tal lei.

HIPOCRISIA é o nome! Dos dois lados. Achei péssima a atitude da DM9 de retirar o vídeo! Achei ridícula a manifestação dos blogueiros nerds, chatos e gordos.

Até porque, não há nada melhor do que rir de si mesmo!

Pronto. Falei!

J – Geek, Magrelo, Chato, Nintendo Lover, Palmeirense, Escroto e acima de tudo AUTO-ESCROTISTA DE PRIMEIRA!

“… eis que me vi em um bloqueio criativo. Bloqueio daqueles de se questionar a carreira e as escolhas feitas até alí. ‘Ora. És ou não um criador?’. ‘Na hora do pênalti, amarelas?’. Já desolado e diante de uma situação que parecia imutável, eis que saio em busca do Q que me faltava. Mas… o quê me faltava?

De carona aleatória voltei ao lugar das mais belas overdoses de cocaina já vistas. Palco de minhas maiores viagens alucinógenas. Esperava encontrar algum rosto conhecido, mas aparentemente, nenhum dos vagabundos que me acompanhavam estavam disponíveis! Migrei então para o próximo quarteirão, onde minhas cantadas ruins um dia funcionaram. Entre hippies pseudo-filósofos e o jogo do corínthians, escolho o menos intragável. ‘Vai Azulão’, esbraveja meu coração alvi-verde em silêncio, temendo ser espancado. Final de primeiro tempo. Minha torcida contra é incapaz de afundar o já rebaixado timão. Decido que aquela situação é insuportável. Jogo ruim. Gente feia. Saio em busca de algo melhor (ou pior).

Me vejo dentro de um supermercado. Saco do caixa eletronico figuras de valor sem sentido com meu cartão caindo aos pedaços. Literalmente. Passo com pressa a seção de bebidas e percebo que não vale a pena me matar num dia como hoje. Mas… que tipo de dia é um dia como hoje?

Do supermercado ao cinema em 7 minutos, segundo o taxista. ‘Qual sessão ainda posso pegar?’. Escolho a de pior nome. O filme conta a história de um paraíba que desembarca em curitiba, se torna cozinheiro pela falta de dinheiro, se apaixona por uma meretriz, muda de restaurante, pega a puta e seu chefe na libidinagem e mata os dois.

Não podia ser melhor!

Depois do filme, volto pra casa. ‘Mas ainda é terça!’. Tá certo. Minha trava criativa ainda não foi quebrada. Do inferno ao céu em 3 horas. De corínthians a cordel e cerveja argentina em 3 horas. Das xilogravuras ao grupo de lésbicas na mesa ao lado, possívelmente rindo da minha solidão proposital. Dos idiotas tentando dizer a dona do bar, porque o seu bar tem este nome. SBT. Rascunhos em guardanapos. Brainstormings comigo mesmo. Destrava. Volto. Escrevo. Deito. Durmo.

Quarta-feira!”

Acabei de descobrir que meus posts tem diretamente a ver com minhas pesquisas de trabalho.

Estava eu pesquisando sobre a estética visual da literatura de cordel para um projeto e acabei me deparando com diversas publicações e me vi preso pela beleza non-sense delas.

Foi amor a primeira vista. O primeiro título que apareceu foi:

“Um pagode no inferno ou a nova loura do cão.
Arievaldo Viana

Sentiram a beleza do título? Só a sugestão de que haverá pagode no inferno me faz não querer ir pra lá (esperando as pedras contra meu ódio declarado a pagode). O trocadilho com a nova loira do tchãn é genial!

Depois de ler este título, deixei um pouco a estética visual da coisa e fui pesquisar os títulos que eles davam aos textos. Foi quando me a paixonei de vez!

As meninas do sertão são iguais as de Ipanema. – Raimundo Silva
O mineiro que comprou um bonde no Rio de Janeiro.
Apolônio Alves dos Santos
Visita de Satanás a um baile funk.Botelho Pinto e MC Papangú
O pai que trocou a filha por uma jaca.
Dalmo Sérgio
Os novos mamadores da negra dum peito só.Arievaldo Viana
O cavalo que defecava dinheiro.Leandro Gomes de Barros
O verdadeiro A.B.C. dos Cornos.Cornélio da Galha
O chifrudo que apanhava da mulher porque não sabia passar roupas.Dalmo Sérgio
A incrível traição da mulher do Ricardão.Gonçalo Ferreira da Silva
O monstro de Piratini mata mãe e arranca coração.Raimundo Santa Helena
O Porco Endiabrado no Programa do Ratinho – Antonio Klévisson Viana
O Motorista que Matou A Mãe por Um Real –
Antonio Klévisson Viana

Entre tantos outros…

Estes títulos me fizeram pensar (parodiando uma amiga minha): “Q? (EM CAPS DESCONTROL)”
O processo de criação desses caras deve ser algo do tipo: vou comer uma rapadura estragada e imaginar essas histórias bizarras e/ou distorcer as que todo mundo já sabe e contá-las de um jeito bizarro para que o povão goste e dê muita risada. FUNCIONOU!

Não consigo não imaginar estas histórias em forma de rimas cantadas, com o acompanhamento da viola rudimentarmente aprendida na raça pelo sertanejo. Este tipo de manifestação cultural tosca (do sentido de mal acabado, não de ruim) é tão atual quanto quando nasceu, na grécia antiga. É fácil encontrar em meio a estes títulos, temas como 11 de setembro, política, morte de artistas, tragédias nacionais/mundiais e etc.

A xilogravura utilizada nas capas é uma das artes que mais adimiro pelo trabalho que dá talhar em madeira os desenhos quase sempre ricos em detalhes.  Lendo o site da ABLC – Academia Brasileira de Literatura Cordel (sim, existe uma academia brasileira) achei a história dos “grandes cordelistas”. Esses grandes homens, em sua maioria eram simples trabalhadores e grandes “mentirosos”. Criavam histórias bizarras como ninguém. Viviam na manguaça e se divertiam mentindo pra galera.

Ou seja, viraram meus heróis.