Acabei de descobrir que meus posts tem diretamente a ver com minhas pesquisas de trabalho.
Estava eu pesquisando sobre a estética visual da literatura de cordel para um projeto e acabei me deparando com diversas publicações e me vi preso pela beleza non-sense delas.
Foi amor a primeira vista. O primeiro título que apareceu foi:
“Um pagode no inferno ou a nova loura do cão.“
Arievaldo Viana
Sentiram a beleza do título? Só a sugestão de que haverá pagode no inferno me faz não querer ir pra lá (esperando as pedras contra meu ódio declarado a pagode). O trocadilho com a nova loira do tchãn é genial!
Depois de ler este título, deixei um pouco a estética visual da coisa e fui pesquisar os títulos que eles davam aos textos. Foi quando me a paixonei de vez!
As meninas do sertão são iguais as de Ipanema. – Raimundo Silva
O mineiro que comprou um bonde no Rio de Janeiro. – Apolônio Alves dos Santos
Visita de Satanás a um baile funk. – Botelho Pinto e MC Papangú
O pai que trocou a filha por uma jaca. – Dalmo Sérgio
Os novos mamadores da negra dum peito só. – Arievaldo Viana
O cavalo que defecava dinheiro. – Leandro Gomes de Barros
O verdadeiro A.B.C. dos Cornos. – Cornélio da Galha
O chifrudo que apanhava da mulher porque não sabia passar roupas. – Dalmo Sérgio
A incrível traição da mulher do Ricardão. – Gonçalo Ferreira da Silva
O monstro de Piratini mata mãe e arranca coração. – Raimundo Santa Helena
O Porco Endiabrado no Programa do Ratinho – Antonio Klévisson Viana
O Motorista que Matou A Mãe por Um Real – Antonio Klévisson Viana
Entre tantos outros…
Estes títulos me fizeram pensar (parodiando uma amiga minha): “Q? (EM CAPS DESCONTROL)”
O processo de criação desses caras deve ser algo do tipo: vou comer uma rapadura estragada e imaginar essas histórias bizarras e/ou distorcer as que todo mundo já sabe e contá-las de um jeito bizarro para que o povão goste e dê muita risada. FUNCIONOU!
Não consigo não imaginar estas histórias em forma de rimas cantadas, com o acompanhamento da viola rudimentarmente aprendida na raça pelo sertanejo. Este tipo de manifestação cultural tosca (do sentido de mal acabado, não de ruim) é tão atual quanto quando nasceu, na grécia antiga. É fácil encontrar em meio a estes títulos, temas como 11 de setembro, política, morte de artistas, tragédias nacionais/mundiais e etc.
A xilogravura utilizada nas capas é uma das artes que mais adimiro pelo trabalho que dá talhar em madeira os desenhos quase sempre ricos em detalhes. Lendo o site da ABLC – Academia Brasileira de Literatura Cordel (sim, existe uma academia brasileira) achei a história dos “grandes cordelistas”. Esses grandes homens, em sua maioria eram simples trabalhadores e grandes “mentirosos”. Criavam histórias bizarras como ninguém. Viviam na manguaça e se divertiam mentindo pra galera.
Ou seja, viraram meus heróis.




