“… eis que me vi em um bloqueio criativo. Bloqueio daqueles de se questionar a carreira e as escolhas feitas até alí. ‘Ora. És ou não um criador?’. ‘Na hora do pênalti, amarelas?’. Já desolado e diante de uma situação que parecia imutável, eis que saio em busca do Q que me faltava. Mas… o quê me faltava?

De carona aleatória voltei ao lugar das mais belas overdoses de cocaina já vistas. Palco de minhas maiores viagens alucinógenas. Esperava encontrar algum rosto conhecido, mas aparentemente, nenhum dos vagabundos que me acompanhavam estavam disponíveis! Migrei então para o próximo quarteirão, onde minhas cantadas ruins um dia funcionaram. Entre hippies pseudo-filósofos e o jogo do corínthians, escolho o menos intragável. ‘Vai Azulão’, esbraveja meu coração alvi-verde em silêncio, temendo ser espancado. Final de primeiro tempo. Minha torcida contra é incapaz de afundar o já rebaixado timão. Decido que aquela situação é insuportável. Jogo ruim. Gente feia. Saio em busca de algo melhor (ou pior).

Me vejo dentro de um supermercado. Saco do caixa eletronico figuras de valor sem sentido com meu cartão caindo aos pedaços. Literalmente. Passo com pressa a seção de bebidas e percebo que não vale a pena me matar num dia como hoje. Mas… que tipo de dia é um dia como hoje?

Do supermercado ao cinema em 7 minutos, segundo o taxista. ‘Qual sessão ainda posso pegar?’. Escolho a de pior nome. O filme conta a história de um paraíba que desembarca em curitiba, se torna cozinheiro pela falta de dinheiro, se apaixona por uma meretriz, muda de restaurante, pega a puta e seu chefe na libidinagem e mata os dois.

Não podia ser melhor!

Depois do filme, volto pra casa. ‘Mas ainda é terça!’. Tá certo. Minha trava criativa ainda não foi quebrada. Do inferno ao céu em 3 horas. De corínthians a cordel e cerveja argentina em 3 horas. Das xilogravuras ao grupo de lésbicas na mesa ao lado, possívelmente rindo da minha solidão proposital. Dos idiotas tentando dizer a dona do bar, porque o seu bar tem este nome. SBT. Rascunhos em guardanapos. Brainstormings comigo mesmo. Destrava. Volto. Escrevo. Deito. Durmo.

Quarta-feira!”

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